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O tempo da quaresma é de quarenta dias, porém em dias corridos somam quarenta e seis pois, de acordo com o cristianismo, o domingo, que já é dedicado como o dia do Senhor, durante a quaresma não é contado. Quaresma remete, ainda, ao periodo de 40 dias que Jesus passou no deserto em oração. |
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| Muito prazer, sou o padre Dervile |
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| Escrito por 'São Pedro' |
| Qua, 03 de Março de 2010 17:29 |
Sou nascido e criado em Sorocaba numa rua muito particular de um bairro tipicamente espanhol. Meus avôs maternos eram espanhóis e crescemos falando a língua natal deles. Sempre morei na mesma rua que nasci com uma infância muito saudável e saudosa. Minha família era a família típica da época. Meu pai trabalhava e minha mãe cuidava da casa de dos filhos. Aprendi desde muito cedo noções fundamentais de honestidade e justiça, principalmente com meu pai, um grande homem, tanto em estatura quanto em bondade e caráter. Tinha o apelido de "Trovão", pela voz forte e grossa e um de meus irmãos, já falecido, herdou seu apelido, o que nos enche de orgulho. Meu pai faleceu muito cedo, aos 54 anos vítima de doença profissional adquirida na infância. Tanto meu pai quanto minha mãe não eram freqüentadores de Igreja, mas católicos. Apenas minha avó era praticante e eu, que desde pequeno a acompanhava. Fui até coroinha quando a missa ainda era em latim... Éramos uma família de 4 irmãos. Infelizmente um partiu muito cedo, há apenas dois anos e ficamos três: eu, um irmão mais novo e uma irmã, bem mais nova.
Após a infância e a morte de minha avó, afastei-me totalmente da Igreja. Levei uma vida normal de adolescente e jovem. Comecei a trabalhar aos 14 anos, como era o costume da época e estudava à noite. Trabalhei em um só lugar, dos 14 aos 21 anos com um patrão excelente, com quem aprendi muito e aprimorei ainda mais meu senso de justiça que havia herdado de meu pai. Entrei nessa firma como contínuo (era o boy da época) e cheguei até a função de responsável pelo faturamento. Tenho ótimas lembranças dessa época e do hoje meu grande amigo e antigo patrão, Antonio Rubens de Lima, o Rubinho. Enquanto isso estudava e me formei em Biologia. Formado, passei a dar aulas numa cidade perto de Sorocaba, chamada Mairinque, onde fiquei por cerca de 6 anos. Foi aí que nasceu minha vocação. Havia um grupo de jovens, quase todos meus alunos, que todo domingo faziam um trabalho humanitário num lugar muito pobre, chamado Amparo Maternal para mães e filhos com problemas mentais. Um dia me chamaram para ajudá-los e a partir daí, voltei para a Igreja e comecei a me encantar com a forma dela agir. Eram tempos de ditadura militar e a Igreja tinha um compromisso grande, principalmente aqui em São Paulo, tendo Dom Paulo Evaristo como seu grande expoente. Aos 27 anos decidi ser padre. Inicialmente pela Região de Osasco, a qual pertencia a cidade de Mairinque e vim para São Paulo para estudar Teologia, pois já tinha uma faculdade. Morei no Tatuapé, na Paróquia Cristo Rei, onde ficava a Casa de Formação. Ali conheci outro grande homem: Dom Luciano Mendes de Almeida e por seu testemunho, optei em ficar na Região Belém, onde aos 30 anos, fui ordenado padre.
PALMEIRAS, desde o nascimento. Toda minha família é palmeirense.
Foram poucas nestes trinta anos de padre. A primeira foi a Cristo Rei, onde fui pároco e formador. De lá, optei por morar e trabalhar na periferia, primeiro no Jardim Iguatemi, isso em 1982, depois fui para a área paroquial do Jardim IV Centenário, onde permaneci até 1988, quando fui enviado para estudar na Bélgica. Por opção fiquei apenas um ano e retornei, sendo designado para a Paróquia Nossa Senhora Aparecida da Vila Formosa, onde fiquei por 16 anos até ser designado para esta paróquia de são Pedro. Isso em agosto de 2006.
Grande sonho ainda não realizado: Ver e viver numa sociedade mais igualitária. Foi por essa razão que por onde passei me envolvi muito com os problemas sociais, pois acredito profundamente que não se pode viver um Evangelho separado da vida política e social de um povo, principalmente como o nosso tão espoliado e sofrido. Ainda acredito visualizar as sementes do Reino germinando em nossa linda terra. Foi esse o meu grande encanto quando aqui cheguei, pois sempre trabalhei em Paróquias e comunidades sem espaço físico. Aqui eu tinha um enorme pátio vazio e juntamente com alguns sonhadores, começamos a construção do que é hoje nosso Pólo Cultural, Educacional e Religioso Dom Luciano. Aos poucos estamos vendo o sonho se realizar, pois encontrei também uma comunidade receptiva ao Projeto de Deus.
De preferência, cheio, mas adoro massas e comida espanhola.
Mensagem aos paroquianos: Reforço aqui o que disse no dia de minha apresentação na Paróquia: Estou aqui para ser irmão de vocês, irmão com vocês e irmão para vocês. Espero estar correspondendo a esse anseio. Aqui encontrei muitas pessoas de Boa Vontade e juntos estamos fazendo o possível e também o impossível para ser presença de Deus nesta pequena porção de seu Povo. Espero servir a comunidade até quando meus superiores assim o desejarem e enquanto as necessidades e desafios se apresentarem. Hoje estamos vendo e convivendo com nossas crianças de todos os níveis, desde a pré-catequese, passando pelo Pólo Cultural, com os coroinhas, crisma, seus familiares e finalizando com a Alfabetização de Jovens e Adultos. São muitos os trabalhos e creio, surgirão outros também. É verdade que nem sempre correspondemos ou agradamos a todos, mas, de coração, procuro fazer o melhor possível para tornar a vida, principalmente dos mais pobres, um pouco mais amena e serena, fazendo Deus aparecer na vida de nossos irmãos e irmãs. |
| Última atualização em Qui, 04 de Março de 2010 17:32 |



